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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

segunda-feira, 27 de abril de 2020

>>> VÍDEO DA SEMANA



Ônibus Ciferal Dinossauro - história completa de uma lenda...

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segunda-feira, 9 de abril de 2018

>>> RESGATE DA HISTÓRIA


Após ameaça de desmanche, primeiro
biarticulado de Curitiba será restaurado

Uma peça fundamental da história do transporte público de Curitiba deve ser restaurada em breve. A Viação São José autorizou o restauro do primeiro biarticulado da cidade - sistema implantando na gestão do ex-prefeito Jaime Lerner em 1992 e que foi adotado por outras cidades, como Bogotá, Cidade do México e Rio de Janeiro. Com a decisão, evita-se que o ônibus tenha o mesmo destino de parte dos 33 biarticulados da primeira frota, encaminhados para desmanche em agosto de 2017.


Chamado de ED001, o ônibus poderá ser restaurado com a condição de não gerar nenhum custo para a São José, empresa que adquiriu a Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, proprietária original do ônibus. Isso significa que todos os recursos para a reforma terão de vir de doações ou parcerias.

Um dos idealizadores da iniciativa, o engenheiro mecânico Eduardo Tows, gerente corporativo da Viação Cidade Sorriso - empresa parceira da São José -, explica que o trabalho de restauro será feito fora do horário de expediente. “Eu e mais cinco pessoas estamos envolvidas neste projeto, que por enquanto é um embrião sem prazo para ser concluído”, conta. Além do engenheiro mecânico, participarão do restauro outro gerente de manuteção, um busólogo (estudioso de ônibus), um motorista e o responsável pela operação de uma garagem.


O ED001 já foi lavado e a equipe conseguiu fazer o motor funcionar. Mas ainda há muito trabalho pela frente. “Precisamos rever a parte elétrica, trocar os pneus, o óleo e várias peças, entre outras coisas”, lista Tows, que trabalha com ônibus há 20 anos. Para os pneus e para o filtro de óleo, o engenheiro mecânico já conseguiu o contato de algumas empresas que se mostraram dispostas a ajudar. Já sobre a troca de peças, algumas puderam ser reaproveitadas de outros biarticulados da mesma frota.

Uma das contrapartidas que o gerente pensa em oferecer a organizações que se oferecerem para ajudar é um bussdor - a exposição da marca da empresa no vidro traseiro do veículo. “Esse adesivo ocuparia metade do vidro traseiro do ED001. Na outra metade, penso em colocar fotos de todos que ajudaram com mão-de-obra”, sugere.


O plano é que, depois de pronto, o carro seja exibido em alguns eventos. “Algumas ideias seriam sair com ele enfeitado com luzinhas na época de Natal, e usá-lo em eventos de lançamento de novos biarticulados”, exemplifica Tows.

Para visitas do público, em uma espécie de museu, por enquanto não há nenhum plano, mas o engenheiro levanta a possibilidade. Ainda assim, ressalta que o ED001 é um acervo privado da empresa.


Para os busólogos de Curitiba — estudiosos da história dos ônibus e apaixonados pelo tema — a notícia da reforma é uma conquista. “Fiquei muito contente quando soube. A comunidade de busólogos queria muito preservar o primeiro carro porque ele foi protótipo, modelo de testes da montadora”, conta o busólogo Francisco José Becker.

Cor prateada

Adquiridas pela Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, hoje falida, as primeiras unidades do famoso busão tinham a cor prateada e capacidade para 280 passageiros. Foi somente em 1995 que todos os carros foram pintados de vermelho, cor que ainda permanece no ED001. “Eles eram prateados para seguir o padrão dos Ligeirinhos, que já existiam naquela época. Mas decidiram mudar para vermelho para melhorar a visibilidade, quando perceberam que os biarticulados acabavam se camuflando na neblina e na paisagem urbana”, conta o busólogo.


Os carros da primeira frota rodaram em Curitiba até 2002, quando foram aposentados e levados para a garagem da Viação São José, que adquiriu parte da massa falida da Carmo.

* Cecília Tümler/Gazeta do Povo.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

>>> CIFERAL 1966


Empresário restaura ônibus clássico Ciferal 1966 nos mínimos detalhes

Não há como olhar no retrovisor do transporte de passageiros, sobretudo em Minas, sem falar da carioca Ciferal. Fabricante de carrocerias para ônibus que marcou época com populares modelos revestidos de alumínio – mais leves, e por isso apropriados para vencer as empoeiradas estradas das décadas de 1960 e 1970 –, a extinta marca, então sediada na Avenida Brasil, no subúrbio do Rio, deixou saudades. Nada mais natural que seja hoje uma das mais procuradas, junto da Mercedes-Benz – fornecedora de chassis, plataformas e monoblocos (ônibus de estrutura integral) –, na restauração de ônibus antigos, em voga entre as empresas mineiras.


Última iniciativa nesse sentido foi além ao reconstruir um modelo Ciferal Rodoviário, ou Flecha de Prata para os mais íntimos, por completo, refazendo peças como grade frontal e faróis, não mais encontradas nem mesmo em ferros-velhos do interior, onde a marca Ciferal era artigo comum há 20, 30, 40 anos... A originalidade do coletivo ano 1966 nas cores vermelho-mustang e bege causa as mais diversas reações – como numa manhã de sábado, quando ele foi cercado para fotos num breve passeio pelas ruas de Contagem.

Ícone

“Sempre quis reformar um ônibus antigo e o Ciferal Rodoviário foi o que me marcou, por ter viajado muito nele na época em que ia de Belo Vale, onde nasci, a Belo Horizonte. Embora a marca tenha lançado outros modelos, considero este um ícone por conter vários detalhes arrojados para a época”, conta o autor da reforma, o empresário Julio Cézar Diniz, da empresa Rouxinol.


O primeiro passo, segundo ele, foi encontrar uma unidade em bom estado de conservação, o que não foi tarefa fácil. “É sabido que esses ônibus trafegaram muito tempo em estradas vicinais e não havia uma manutenção adequada”, pondera. Localizado o modelo restaurado, que pertencia à Prefeitura de São Sebastião do Oeste (região Centro-Oeste de Minas), Júlio contou com o auxílio de Geraldo Matoso, profissional especializado em Ciferal, na execução do projeto. Do início ao fim, foram três anos, do desmanche, separação de peças aproveitáveis e compra de novos componentes à montagem final.


Um dos pontos mais difíceis da reforma foi substituir os espelhos retrovisores. “Foi uma novela à parte. Com o modelo original, procurei uma fábrica de panelas de alumínio em Patrocínio (Triângulo Mineiro) e o reproduzimos. Também cheguei a ir a Ribeirão Preto em busca de peças ao ser informado de que um ferro-velho adquiriu o almoxarifado da extinta Transoto. Em vão. Também visitei ferro-velhos em Lavras, Nova Era, São José dos Campos, Guarulhos e alguns em Belo Horizonte.” O resultado final foi um veículo antigo com aparência fiel aos que deixaram a linha de produção e detalhes atuais, como os vidros em tom de verde, interior marfim, poltronas avermelhadas e o próprio nome da Rouxinol envelhecido na tipografia – a empresa de fretamento surgiu em 1989. “Tudo isso somado à satisfação e ao prazer de poder observar como as pessoas que viajaram em ônibus como este se emocionam ao encontrá-lo”, acrescenta.


Júlio agora planeja expor o ônibus num memorial da empresa, em construção na Cidade Industrial. Além dele, o empresário conclui a reforma de um segundo Ciferal: um modelo leito 1972, chamado de Rodonave, utilizado pela Viação Itapemirim. Uma das peças mais difíceis de ser encontrada, uma caixa luminosa de cor vermelha fixada ao centro da traseira, foi garimpada no interior do Maranhão. “Nele vamos adotar o mesmo processo de envelhecimento, como se a Rouxinol existisse naquela época, porém com muito luxo a bordo”, adianta.


Outras empresas mineiras, como a Gontijo, Lopes (de Nova Era), Irmãos Teixeira, Rodap e Goretti (de Juiz de Fora), têm unidades semelhantes do Ciferal Rodoviário, com aparições constantes em encontros de carros antigos.

Extinção

Hoje de propriedade da gaúcha Marcopolo, a marca Ciferal deixou de existir em 2013, quando a fábrica de Xerém foi rebatizada Marcopolo Rio. A justificativa foi de que o mercado confundia a unidade produtiva, que produz ônibus urbanos da Marcopolo, com os modelos antigos.

* Bruno Freitas /Estado de Minas.