terça-feira, 9 de agosto de 2016

>>> KOMBI HÍBRIDA


A incrível história da Kombi híbrida criada pela Volkswagen em 1976

A Volkswagen apresenta um carro híbrido, pensado para o trânsito urbano e com um muito espaço interno. Novidade? Que nada. Isso aconteceu em 1976 e o modelo ecologicamente correto em questão era... uma Kombi!


Essa história esquecida veio à tona recentemente no site alemão VW-Bulli.de, mantido por fãs da mãe de todas as vans. Encontramos mais detalhes na revista "Popular Science" de outubro de 1976.

O mundo então vivia a crise do petróleo, os preços do barril haviam quintuplicado e o senso comum dizia que os combustíveis fósseis iriam se esgotar em pouco tempo. A ordem era economizar. Ao mesmo tempo, o ar das grandes cidades se tornava irrespirável.

Foi quando o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) lançou o "Taxi Project", proposta para o desenvolvimento de táxis que ajudariam a melhorar a qualidade de vida na cidade. Dentro desta visão, os carros deveriam poluir pouco e gastar quase nada.


Emilio Ambasz, curador de design do MoMA e responsável pela mostra "City Taxi", ressaltava que os projetos deveriam ser realistas e de manutenção simples. A ideia era sugerir uma alternativa aos Checker que, na época, dominavam o mercado de táxis em Nova York. Estes eram carros à moda dos anos 50: praticamente indestrutíveis, mas também grandes, gastadores e caros.

O museu, então, solicitou que fabricantes de automóveis criassem os protótipos. Além de trazer inovações teconológicas e de design, os carros deveriam atender a todas as exigências previstas pela Comissão de táxis e limusines da cidade de Nova York.


Da Europa, Volkswagen, Volvo e Alfa Romeo se animaram a participar da exposição. Dos Estados Unidos, mais de uma dezena de fabricantes foram convidados (incluindo Ford, General Motors, Chrysler e AMC) mas nenhum se interessou em apresentar novas ideias para o trânsito. O jeito foi encomendar protótipos a duas pequenas companhias americanas: a American Machine and Foundry (AMF, fabricante de motos e bicicletas) e a Steam Power Systems (especializada em motores a vapor).

Todos os táxis deveriam oferecer muito espaço interno e trazer uma divisão blindada entre o motorista e os quatro passageiros. De acordo com as normas, o carro deveria ainda ser capaz acomodar alguém em cadeira de rodas e ter ao menos uma porta lateral de correr. A Volks não titubeou: a Kombi, afinal, já trazia várias dessas características.

Faltava só dar um toque ecológico ao "pão de fôrma". Foi aí que surgiu a Kombi híbrida transformada em "Yellow Cab". A mecânica era basicamente a mesma da Kombi convencional: motor traseiro de quatro cilindros contrapostos, refrigerado a ar, com cilindrada de 1.584cm³. A diferença é que, no meio da Kombi híbrida, logo atrás do motorista, era instalado um grande motor elétrico fornecido pela Bosch. Deste motor saía um eixo cardã que, por meio de uma caixa de redução, se ligava ao câmbio da Kombi. Em vez de embreagem convencional, havia um conversor de torque (semelhante ao das transmissões automáticas) e uma embreagem eletropneumática.

No assoalho e na traseira iam onze baterias convencionais. Acima do motor a gasolina (e separado dos passageiros por uma parede) havia ainda um enorme "cérebro eletrônico" para comandar as variáveis do funcionamento do modelo híbrido. A bagagem era posta ao lado do motorista, que ficava isolado em sua cabine blindada (o diálogo com os passageiros era feito por meio de interfone). A porta de correr original da Kombi recebeu um motorzinho elétrico para abrir e fechar automaticamente.

Ao sair da imobilidade e nas baixas velocidades de um engarrafamento, a Kombi andava apenas com o motor elétrico, sem poluir e em absoluto silêncio. Quando a velocidade aumentava, o motor e gasolina entrava em ação (já em rotação de torque máximo e, portanto, na maior eficiência de operação). A transição era suave, sem acelerações bruscas.


Se fosse preciso mais força, o motor elétrico ajudava no serviço. Quando as baterias arriavam, o motor a gasolina se encarregava de mover o táxi e servia como gerador para a recarga. Ou seja: esta Kombi de 1976 antecipava todo o conceito de funcionamento dos Toyota Prius atuais.

Até então, as experiências com carros híbridos eram vistas como excentricidades remotas. Coisas como o Lohner-Porsche Semper Vivus (feito em 1900) e o Mercédès-Mixte (de 1906), em que o motor a gasolina servia apenas como gerador de eletricidade.

Na apresentação de sua Kombi "City Taxi", contudo, a Volks falava do ponto fraco (até hoje atual) dos carros elétricos: falta de autonomia. E já dizia que o "sistema híbrido-elétrico de propulsão" seria "uma solução séria para o transporte urbano do futuro".


Antes de ser mostrado no MoMa, o protótipo já havia rodado por 4.000km sem problemas. Falava-se que, se fosse vendido, o táxi ecológico custaria o mesmo que uma Kombi Camper (versão alemã equipada para acampamentos). Não se tem notícia do que foi feito do carro depois da exposição. Provavelmente terminou seus dias esquecido em algum galpão da fábrica de Wolfsburg. Fato é que, quase 40 anos depois, ficou provado que a Kombi híbrida estava no caminho certo.

* Jason Vogel/Jornal O Globo.

Nenhum comentário: